Academia WordPress

Olhando para a História do WordPress

A medida que o WordPress se move em direção a sua segunda década de existência, é tentador dizer que 2015 pode ter sido um ponto marcante da plataforma e quem em 2016 teremos uma revolução completa no modo como gerenciamos o conteúdo online.

O WordPress é posicionado como CMS mais popular do mundo e agora está instalado e recentemente foi confirmado que um quarto dos sites online rodam com ele. Assim como mais de 600 mil lojas virtuais estão usando o módulo WooCommerce de venda – um plugin que transforma o WordPress em uma ecommerce -, sem contar as lojas que utilizam outros módulos. Desde que a Automattic incorporou a WooThemes ao seu grupo, podemos considerar que esses números se completa.

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Com a REST API a caminho, Matt Mullenweg abertamente mirando 50% do mercado como objetivo e a Automattic – empresa mantenedora do WordPress –  começando a testar seus músculos econômicos, existe um sentimento de que o gigante WordPress está começando a receber competição de forma fundamentalmente diferente do que aconteceu no passado.

Nesse artigo, nós vamos olhar para o passando da plataforma e rever os marcos evolutivos dela. Também darei alguns palpites sobre o destino da plataforma, então que a viagem pela memória comece!

2003–2004: Uma Nova Plataforma é Criada

O domínio do WordPress hoje é tão completo que muita gente não sabe que sua origem vem de uma obscura plataforma feita em PHP para blogs. B2 Cafelog foi originalmente desenvolvida por Michael Valdrighi em 2001, mas em 2003 o desenvolvimento acabou sendo abandonado.

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Um post de Matt Mullenweg comentando a falta de progresso na ferramenta se tornando uma dica que Mike Little usou para propor a formação de uma equipe afim de levar as coisas a frente e o resultado final foi uma variação da B2 Cafelog chamada – adivinha só? – WordPress, que foi lançada em março de 2003.

A versão oficial 1.0 surgiu em uma época próxima, janeiro de 2004, com muitas das ferramentas que os usuários do WordPress tem usado até os dias de hoje, como instalação simples, comentários com moderação, links amigáveis e categorias já optimizadas para mecanismos de busca.

Maio de 2004 houve o lançamento da versão 1.2 (Mingus) e a chegada dos adorados Plugins, com o icônico Hello Dolly demo que foi adicionado pelo próprio Mullenweg e até hoje aparece para nós na primeira instalação – tirando quem foi malvado e customizou sua instalação sem a Dolly!

Hello Dolly também é um filme de 1969 protagonizado pela Barbra Streisand
Hello Dolly também é um filme de 1969 protagonizado pela Barbra Streisand

Outra parte familiar do WordPress veio mais tarde naquele ano com o lançamento do forum bbPress, que move os forums do WordPress.com e WordPress.org até hoje. Mesmo com as limitações da época – lembre-se que estamos em 2004 e a internet não é o que você vê hoje – foi possível evoluir a plataforma na direção certa!

Uma das vitórias importantes para a plataforma emergente veio no meio de 2004. Algumas mudanças mal recebidas a licença e preço do Moveable Type – uma opção de CMS da época – deram um grande impulso ao WordPress já que blogueiros passaram a procurar por uma alternativa que fosse gratuita. Olhando para os primeiros 18 meses, é justo dizer que o WordPress começou muito bem. Grandes saltos, no entanto, era só o começo.

2005–2007: Grandes Passos

2005 é um marco para o WordPress por diversos motivos. Um dos mais palpáveis foi a criação da Automattic como uma iniciativa comercial separada, em agosto de 2005, e o lançamento oficial do WordPress.com.

Automaticc compra o WooCommerce
Automaticc compra o WooCommerce

Matt Mullenweg teve cedo a visão para perceber que a licença GPL era capaz o suficiente para suportar tanto um projeto de código aberto ativo quanto uma entidade comercial distinta que poderia elevar as coisas.

É interessante notar esse tipo de estratégia em tempos onde fornecer algo gratuitamente pensando em lucrar parecia loucura! Fico curioso para saber o que pensam hoje aqueles que criticaram a postura do Matt na época. 10 anos depois, com toda uma industria tendo crescido em volta do WordPress – inclusive a existência deste blog que é dedicado ao assunto -, isso parece obvio mas é fácil esquecer que passo radical e aposta econômica representou na época.

Em 2006 alguns investidores injetaram aproximadamente U$1.5 milhões na Automattic com o foco em oferecer suporte ao desenvolvimento do WordPress como plataforma open source. Por mais que, segundo Mullenweg, eles não estivessem procurando investimento o dinheiro foi muito bem recebido. WordPress 1.5 (Strayhorn) foi a primeira versão após o saldo financeiro e teve um grande impacto, já que trouxe a funcionalidade de temas e pagina estática.

A separação entre design e funcionalidade, que teve inicio marcado com a chegada dos temas, foi um fator chave para desenvolvedores e designers pelo mundo todo e abriu portas para monetização futura. Foi nessa versão que o WordPress se tornou uma ferramenta, uma oportunidade de negócio e o começo da carreira de muitos profissionais.

A versão 2.0 (Duke) ao final de dezembro em 2005 manteve as coisas em movimento com a adição de caching persistente, funções de usuários e UI backend. 2005 também viu o lançamento do plugin anti-spam para comentários Akismetque logo deu inicio ao seu proprio serviço standalone – e trabalho inicial no precursor do Multisite, antes considerado um projeto separado.

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Em contraste com a atividade extraordinária de 2005, os próximos 2 anos foram dedicados a consolidação e melhoria da interação tanto no comercial quando no lado open source da plataforma. Eu não considero isso algo ruim, pois o WP chegou a um ponto onde era preciso sentar e respirar ou o próximo tiro da Automattic poderia ser no próprio pé.

Ainda em uma recessão de novidades foram vistas adições notórias em termo de funcionalidade durante esse período inclui o sistema de tags, widgets, URLs mais bonitas, corretor ortográfico e alerta de atualizações.

O Diretório de Plugins do WordPress também foi estabelecido como repositório de escolha durante esse tempo. Em termos de alcance, 2006 foi notável pela primeira WordCamp em São Francisco – o começo de uma série de eventos que continuou a mover a comunidade até os dias de hoje.

No lado comercial desso projeto, 2006 viu Toni Schneider ser apontado como CEO em tempo integral e a primeira compra em larga escala da empresa: Gravatar.

Quando 2007 estava terminando, não havia mais duvida que o WordPress havia emergido como uma presença online significante, teria um futuro brilhante, porém não era clara a direção que poderia tomar tanto em relação a plataforma como com a sua comunidade.

2008–2009: Tirando as Rodinhas de Treino

2008 e 2009 viram grandes movimentos no backend do WordPress, começando com a WordPress 2.5 (Brecker). A vistoria administrativa foi recebida com criticas mistas, eventualmente resultando nas mudanças mais consideradas de beckend que eram tão importantes no WordPress 2.7 (Coltrane).

As funcionalidades continuaram a vir nesse período – é preciso inovar sempre, certo? – introduzindo ferramentas como a API Shortcode, versionamento de publicações, plugins inclusos na instalação e sticky posts, todos aparecendo aos poucos.

O caminho até a versão 3.0 teve adições significativas, como temas inclusos na instalação na versão 2.8 (Baker) e edição de imagem na versão 2.9 (Carmen). Esse período também viu o crescimento continuo do diretório de plugins e o lançamento oficial do diretório de Temas, sendo um grande passo em termos de padrões de qualidade e design focados na plataforma.

A Automattic também esteve ocupada nesse período e não foi com pouca coisa. O New York Times e a Polaris injetaram um capitão de quase $ 30 milhões que foram essenciais na aquisição do Buddypress, o amado módulo de – em resumo – Rede Social do WordPress.

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Ao fim de 2009, WordPress estava firmemente estabelecido com a melhor opção na cabeça dos desenvolvedores e designers, apesar de que a explosão digital – blogs, sites, lojas e etc –  ainda não era uma realidade e o mercado de ataque do CMS era relativamente pequeno.

2010–2011: O Crescimento em Publico

Nos anos de 2010 a 2012 houveram grandes eventos marcando a historia do WordPress como software, plataforma, conceito e na visão dos usuários.

A Fundação WordPress estava oficialmente registrada como organização beneficente por Matt Mullenweg em 2010, com objetivo de assegurar o futuro a longo termo do projeto como um software open source:

“O objetivo da fundação é assegurar acesso livre, permanentemente, para o projeto de software que oferecemos suporte. Pessoas e negócios podem ir e vir, então é importante que tenhamos certeza de que o código fonte desses projetos sobrevivam alem da base contribuidora atual, para que possamos criar uma plataforma estável de publicação na web para as futuras gerações.”

A medida que isso foi processado, a fundação oficialmente adquiriu os direitos do logo WordPress e marca. É sempre bom evitar problemas com esse tipo de coisa, mesmo sendo um projeto de código aberto.

Por razões obvias, as linhas entre Automattic e WordPress continuam se cruzando de formas incomuns até hoje, porém estabilizar a Fundação WordPress e assegurar os direitos foi um grande passo para a separação definitiva do Comercial com o Aberto.

Nesse ano também houve a chegada de uma grande versão, o WordPress 3.0 (Thelonius). A inclusão de tipos customizados de posts representou uma evolução na busca por se tornar verdadeiramente um Gerenciador de Conteúdo com múltiplos propósitos, sem contar que a integração do WordPressMU no código padrão validou o que muitos ainda hoje pensam – de forma errada – sobre a plataforma: O WordPress é um sistema que serve de base para você criar o que quiser  online.

A absurda migração de 13 milhões de usuários do Windows Live Space para o WordPress.com modificou consideravelmente a trajetória da plataforma, consolidando quase 14% da internet com instalações WordPress.

2012–2014: Cada vez mais Madura

Os próximos anos viram o WordPress consolidando a posição como principal plataforma CMS no mercado. Algumas funcionalidades adicionadas emergiram nesse período incluindo o administrador de mídia e o suporte de áudio e vídeo. Duas adições que, certamente, foram influenciadas pela enxurrada de criadores de conteúdo nascidos nesse período.

Esforços para melhorar a experiencia do usuário backend continuaram a ter resultados relevantes na customização de temas, introduzindo o modo Escrever Sem Distração – outra ferramenta para criadores de conteúdo.

Por baixo da interface, a WordPress 3.9 (Smith) teve algumas grandes melhorias em atualização automática de versões e introdução de compatibilidade com a HipHop Virtual Machine do Facebookuma mudança que colocou o WordPress firmemente no topo do desenvolvimento PHP.

Automattic não ficou pra trás e deu passos firmes, com Matt Mullenweg se oficializando CEO em 2014 ao mesmo tempo que a empresa levantou mais 160 milhões em fundos colocando o seu valor de mercado em U$1.16 bilhões de dólares. 

Agora não se tem mais dúvidas e sim a certeza de que o WordPress dominou o mercado tendo 23% dos sites na internet rodando nele. Qualquer competidor teria um caminho muito longo a percorrer se quisesse alcançar esse nível!

2015: A Jogada Certa

Esse ano não poderia ser diferente dos 10 anos passados, inovações não faltaram – tanto na plataforma como nos bastidores – e especuladores já começam a surgir com teorias devido a uma funcionalidade em especifico. O WordPress integrará a API REST em seu core, uma jogada que abre um menu de opções para programadores e empreendedores, com a possibilidade do WP se tornar um FrameWork Completo!

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Em uma entrevista com o Matt Mullenweg, ele destaca um pouco da sua ambição em focar-se no domínio total do mercado como objetivo:

“O próximo objetivo é a maioria dos websites. Nós queremos alcançar 50%+ e ainda há muito trabalho entre nossa posição atual e esse objetivo. A medida que as porcentagens aumentam, se torna mais e mais difícil crescer e nós temos de crescer os poucos fazendo coisas que não fazíamos no passado – realmente planejando os processos, pensando sobre integrações sociais e como o WordPress funciona em dispositivos moveis, o que vai ser predominante no futuro. Essas coisas são realmente importantes.”

Esse ano também presenciou a aquisição do WooCommerce – na minha opinião uma das melhores decisões e mudanças do ano – pela Automattic, com o proposito de colocar força por trás das tentativas de competir com os gigantes do e-commerce como Shopify e Magento.  Novamente presenciamos o WordPress chegando tímido em um mercado novo da mesma maneira que ele entrou lá em 2004 com a primeira versão.

O que nos espera agora?

Tem sido 12 anos cheios de ação para o WordPress e eu, autor do Academia WordPress, não poderia estar mais empolgado com o que está por vir. As últimas atualizações foram fantásticas, trazendo melhorias para o sistema de customização, segurança e agora com a próxima atualização que colocará a primeira parte da API para funcionar. 

A entrada do WordPress e da Automattic oficialmente no mundo das vendas online é uma mudança maior do que aparenta. Hoje plataformas dedicadas ao e-commerce perdem espaço por não mesclarem corretamente a criação de conteúdo com a venda. É trabalhoso para designers, marqueteiros, empreendedores usarem mais do que uma plataforma sendo que tudo poderia estar unido em um local só.

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É claro que devemos ter cuidado, nem todos os problemas do mundo se resolvem com o WordPress, então para projetos mais complexos ainda o uso de outros Frameworks poderá ser bem mais viável, assim como de outras linguagens de programação.

Se você ainda tem alguma dúvida em usar o WordPress, não tenha mais. Coloque a mão na massa e explore a ferramenta, você vai se surpreender com as possibilidades. Deixe um comentário com um link para o seu projeto em WordPress, será muito bacana conhecer o que você tem feito no maior CMS do mundo!

 

BLING
Daniel Leal

Daniel Leal

Eu já passei dos meus 25 anos e boa parte desse tempo eu estive online. WordPress, Plataformas e códigos são uma paixão grande, mas marketing, conteúdo e empreendedorismo falam mais alto. Eu vivo nesse conflito e escrevo sobre ele!

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